DOJ e FTC ampliam investigações sobre NVIDIA por exclusividade e coerção em chips de IA

O domínio absoluto da NVIDIA sobre a cadeia global de suprimentos de hardware para inteligência artificial tornou-se o alvo principal de ações governamentais coordenadas nos Estados Unidos e na Europa. A Federal Trade Commission (FTC) e o Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA mantêm as investigações herdadas sobre práticas anticompetitivas da Nvidia (com o DOJ liderando o inquérito específico de hardware), sob nova liderança regulatória americana. A autoridade regulatória emitiu intimações formais para coletar registros de grandes provedores de serviços de nuvem e startups parceiras de infraestrutura sobre supostas restrições anticompetitivas impostas no fornecimento de suas cobiçadas unidades de processamento gráfico (GPUs).
O cerco está se fechando.
O núcleo do inquérito governamental aponta para o ecossistema de software CUDA. A plataforma de programação, que funciona como a espinha dorsal de desenvolvimento na qual pesquisadores de IA criam seus modelos, atua como uma barreira física de entrada no setor. Reguladores buscam determinar se a NVIDIA pune comercialmente provedores de nuvem que tentam adquirir chips alternativos de concorrentes diretos (como a rival AMD ou startups dedicadas de semicondutores) cobrando preços mais elevados ou atrasando a entrega de novos lotes de aceleradores de alto desempenho.
Outro ponto sensível nas investigações recai sobre a venda casada de equipamentos. Clientes industriais alegam que o acesso preferencial a novos aceleradores é atrelado comercialmente à compra de outros componentes de infraestrutura de rede e refrigeração produzidos pela fabricante de chips. Esse tipo de acoplamento comercial asfixia startups de infraestrutura de datacenter de menor porte e restringe a concorrência no mercado de switches de rede de alta velocidade, forçando uma fidelização forçada indesejada em toda a cadeia.
A liderança regulatória americana adota uma postura firme contra a consolidação no setor de tecnologia. "Se existirem barreiras e pontos de estrangulamento que limitem o acesso a chips de IA, a inovação em todo o mercado será sufocada, justificando a intervenção regulatória direta para garantir a livre concorrência", declarou Jonathan Kanter, diretor da divisão antitruste do Departamento de Justiça americano, ao comentar o escopo das investigações federais em andamento sobre o fornecimento de aceleradores de hardware.









