New York Times acusa Microsoft de cumplicidade em infração de IA

O jornal The New York Times emendou sua petição inicial no processo de direitos autorais contra a Microsoft e a OpenAI, alegando que a fabricante do Windows atuou de forma direta na infração ao projetar uma infraestrutura de supercomputação sob medida para hospedar o treinamento de modelos generativos. A nova peça jurídica, protocolada em junho de 2026 no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, tenta derrubar a defesa da Microsoft de que seria apenas uma fornecedora neutra de infraestrutura de nuvem. A neutralidade da nuvem está sob questionamento.
Este desdobramento jurídico sinaliza um endurecimento das estratégias de proteção à propriedade intelectual no ecossistema de software, onde os provedores de infraestrutura física de nuvem podem ser responsabilizados diretamente pelas atividades de processamento de seus locatários.
A Construção da Bespoke Supercomputing Infrastructure
A emenda detalha que a Microsoft não operou apenas como um provedor de hospedagem de dados passivo, semelhante a serviços gerais oferecidos pela AWS ou Google Cloud. De acordo com os advogados do jornal, a gigante de Redmond financiou e coprojetou uma infraestrutura de supercomputação customizada com dezenas de milhares de placas de processamento gráfico (GPUs) exclusivamente para minerar e copiar o acervo jornalístico protegido do Times.
"A Microsoft não se limitou a alugar servidores padrão; ela construiu e manteve uma máquina de cópias dedicada cujo único propósito era minerar e processar nosso acervo jornalístico protegido", aponta o texto da petição emendada submetido ao juiz distrital de Nova York. A acusação foca na doutrina jurídica de responsabilidade indireta por infração de direitos autorais, alegando que a fabricante tinha conhecimento do material utilizado e obteve benefícios financeiros diretos com a indexação de dados.
Esta distinção de engenharia é determinante para o processo de defesa das Big Techs nos tribunais. Se os advogados do Times provarem que a arquitetura física foi desenhada sob medida para a raspagem automatizada de dados (web scraping) do acervo do jornal, a tese de "porto seguro" que protege provedores de internet comuns de ações de violação de seus usuários deixa de ser aplicável. O custo operacional das parcerias de dados sofrerá forte reajuste.










